Como manter a motivação nas suas práticas espirituais

de 06/10/21 em Dicas que Curam, Espiritualidade
práticas espirituais motivação
Práticas espirituais motivação (Foto: Pixabay)

Todo mundo só fala dos benefícios, do estado interior de paz, da calma, da alegria. Muitos também enfatizam as sincronicidades que você começa a atrair quando passa a viver em estado de sintonia com o universo. Tudo isso é verdade. Mas o que ninguém conta são os perrengues que também envolvem a motivação para práticas espirituais.

Fazendo cursos de autoconhecimento e participando de processos místicos desde os 9 anos de idade, eu tenho tanta história ruim pra contar que espantaria o mais devoto praticante de qualquer linha espiritual.

Agora, ensinando meditação e outras técnicas para pessoas percebo que o principal desafio não é aprender, mas sim permanecer e tornar a prática parte da rotina, de forma consistente.

A maioria começa mas desiste ao menor sinal de dificuldade ou quando aparecem outros problemas. Já ouvi muito ‘Ah, tentei mas não vi resultado’, ‘Comecei mas nada mudou na minha vida’.

Todo mundo, de alguma maneira, ainda associa práticas espirituais a uma espécie de acesso a um universo mais elevado de onde apenas coisas positivas e boas vibrações podem vir. Não é assim.

Se você já tentou meditar ou se engajou em alguma outra prática ou técnica e desistiu porque achou que não estava funcionando, eu quero compartilhar parte da minha experiência.

Saiba que o caminho tem partes feias

Muitas pessoas desistem porque se sentem constrangidos, envergonhados quando precisam entrar em contato com assuntos doloridos, traumas, erros cometidos. Pra começar, evoluir não é fácil. É preciso coragem e determinação para encarar coisas nada legais a nosso respeito, a respeito dos outros e assumir nossa parcela de responsabilidade pelos problemas que acumulamos ao longo da vida. Mas saiba que ninguém (ninguém mesmo) é perfeito e que conhecer suas falhas não te torna mais vulnerável nem fraco. Muito pelo contrário, traz serenidade para encarar os desafios e ajuda a dar o peso e importância corretos aos problemas.

Entenda que você vai se decepcionar

Sim, você vai se decepcionar. Com você e com os outros. E muitas vezes ao longo da jornada. Você vai se decepcionar por não atingir resultados esperados e também vai questionar a sabedoria ou capacidade do seu professor ou mestre quando perceber que ele é apenas humano, assim como você. Enquanto buscamos explorar nossa natureza divina, não podemos esquecer que evoluir é uma jornada.

Aceite que vai conhecer pessoas horríveis também

Sim, muito mais do que pessoas que te inspiram e te ajudam. Você vai conhecer pessoas que tentam mascarar suas falhas dizendo que são evoluídas, vai se deparar com outras que querem te dominar clamando serem ‘espirituais’ e vai conhecer gente louca também. Não deixe que isso atrapalhe sua jornada. Respire fundo, afaste-se do que te fizer mal e siga em frente. Tenha fé e carry on!

Saiba que é normal mudar de prática

Existe uma prática certa para cada pessoa. Só experimentando você saberá qual é a melhor pra você. Se algo não fizer sentido, não tenha receio em mudar. Não desista porque não se encaixou em algum modelo. Os tempos são favoráveis para explorar aulas, cursos, práticas, conhecimentos já que os conteúdos disponíveis online se multiplicaram no último ano.

Motivação para práticas espirituais: Aprenda que consistência não significa rotina rígida

Consistência tem mais a ver com um estado interno do que com estabelecer uma rotina militar. Faça sempre o possível, da melhor maneira possível. Não se prenda a modelos rígidos de práticas. Eu já me comprometi a rotinas malucas para encaixar meditações, rituais e aulas na minha rotina, o que acabava me deixando mais estressada e comprometia os resultados que poderia obter com as práticas. Também sou contra regras que dizem que existe um horário certo para fazer algo. Eu, por exemplo, não faço a mesma coisa todos os dias. Tento encaixar minhas práticas na rotina entre família e trabalho. E assim funciona muito bem. Encontre seu modelo.

Aceite a rotina e as mudanças

Em alguns momentos da vida, é preciso se dedicar a certos assuntos, seja trabalho, seja família, e não sobra mais tempo pra nada. Ou você pode precisar apenas de uma mudança de atividades. Não tem problema interromper uma prática, parar um estudo, dar um tempo. Dar um tempo é saudável. Muitas vezes nesses momentos de pausa conseguimos avanços importantes e temos insights relevantes.

Aceite que o progresso não é eterno

Aprenda a jogar fora, sem dó

Precisamos aprender a jogar fora o que não usamos mais. Isso também vale para conhecimentos. Não é porque você aprendeu ou praticou algo durante uma certa fase da vida, que precisa reservar um espaço para guardar isso na memória.  Descarte, esqueça, apague, delete. Abrir espaço para coisas novas é necessário também na mente e na alma.

Saiba que praticantes experientes também sofrem

Você pode estar engajado em práticas meditativas, ter feito diversos cursos de autoconhecimento, rezado a vida toda, participado de inúmeros processos místicos, mas, mesmo assim, vai continuar tendo altos e baixos, se deparando com realidades internas nada agradáveis e precisando lidar com conflitos que acontecem naturalmente na vida. Saiba que mesmo após uma grande jornada, dor e sofrimento vão aparecer. Isso é natural. O que aumenta é a capacidade de recuperação, a resiliência, a capacidade de aceitar a realidade e as nossa limitações. Mas as dores sempre virão te visitar. Essa é a realidade.

Dicas de espiritualidade prática para mães

de 03/05/21 em Dicas que Curam, Espiritualidade
guia de espiritualidade para mães
Guia de espiritualidade para mães

Nesse dia das mães, o melhor presente que você pode se dar é paz de espírito. Isso só vem com discernimento, com a vontade de olhar para as coisas como elas realmente são. E também pelo exercício de encontrar um local de pausa e acolhimento dentro de você. Por isso, preparei este guia de espiritualidade para mães.

A partir da minha própria experiência como mãe e dos contatos com outras mulheres, eu decidi escrever um texto com os principais desafios que nós, mamas, enfrentamos. Claro que não é definitivo e que outras mulheres podem ter experiências diferentes.

Num mundo com tanta informação, muitas vezes nos perdemos em referências vazias e comparações nocivas. Espero que esse relato sincero ajude a refletir e a acalmar os pensamentos e o coração.

Mito da mulher iluminada

A ideia de que a maternidade santifica a mulher é um estereótipo perverso. É claro que é uma experiência transformadora e que traz muitos aprendizados. Mas esse mito de iluminação é cruel pois faz que com muitas mulheres se julguem por não se identificarem com essa imagem. Tanto que é curioso como quando uma pessoa conta como está sendo difícil a gravidez ou os desafios da amamentação, logo várias matérias e hasgtags são publicadas elogiando a coragem da pessoa em “falar a verdade”. 

Mito do sacrifício materno

A ideia da mãe que se sacrifica pelos filhos está ultrapassada. Uma pessoa plena e feliz é capaz de suprir as necessidades de outro ser humano melhor e mais facilmente. Torna-se uma relação natural em que dar alimento e ser alimentado não retira mais do que deveria, transformando o relacionamento numa troca saudável em que ambos crescem e evoluem. 

Mito da perfeição

Essa falsa ideia de que os atos de uma mãe precisam ser perfeitos é prejudicial não apenas para as mulheres. Cultivar a imagem de que não se pode errar, tira o foco da real necessidade dos filhos, colocando a atenção apenas no que erramos ou acertamos. Enquanto achamos que estamos buscando a perfeição, estamos na verdade engajadas no mito de que não podemos errar. A tradução mais próxima da realidade para isso é: estamos olhando apenas para o nosso umbigo.

Mito da intuição

A maternidade não transforma uma mulher num ser intuitivo que saberá tudo sobre os filhos. É falsa a ideia dessa conexão que surge naturalmente. É sim possível desenvolver essa capacidade, que aliás é natural para todo ser humano, mas isso não tem a ver com a maternidade, tampouco é exclusivo das mulheres. É fruto de um exercício de pausar e de conexão.

Mito da preocupação

Passamos a vida preocupadas e achamos que por isso estamos conectadas com nossos filhos. Muitas mulheres passam o dia imaginando situações, perigos e desafios que os filhos podem, um dia, talvez, enfrentar. O resultado é estresse e fadiga, que geram uma série de recomendações e cobranças inúteis. Pior: uma pessoa que vive no mundo da imaginação, pensando no que poderia acontecer, não vive num estado de conexão com os filhos nem com ninguém. Está num futuro ‘terrível’ em vez de viver no presente.

Mito ‘é bom sempre se preparar para o pior

Muitas crescemos com a ideia de que uma ‘‘pessoa inteligente sempre se prepara para o pior’. Que é preciso ter uma lista mental pronta sobre todas os problemas, adversidades que podem acontecer. E que apenas pessoas irresponsáveis pensam apenas no que pode dar certo. Em relação aos filhos esse hábito se agrava. Pensamos em todas as possibilidades do que poderá dar errado, no presente e no futuro. E pior: isso é frequentemente tema de conversas com outras mães e de conversas e recomendações vazias para os próprios filhos.

Mito da culpa

Outra forma de auto-engajamento, desconexão, que muitas julgam que faz parte do perfil de uma boa mãe é o exercício da culpa. Ficar remoendo, relembrando, falando sobre a situação com os outros, dizendo que se sente culpada. Quando isso acontecer, pare e reflita: como a situação afetou a criança? Como ela está? Algo pode ser feito? Manter-se na sintonia da culpa não corriga o erro, remedia o problema ou diminui a sua responsabilidade sobre o assunto.

Fazer o que ninguém exigiu

Conheço mulheres que vivem esgotadas, estão sempre com a agenda lotada, frustradas porque não conseguem dar conta de uma série de tarefas. Detalhe: essas tarefas foram impostas por elas mesmas. Estão baseadas num ideal de perfeição. Ninguém pediu ou exigiu. Em geral, ninguém pediu para a casa ficar sempre impecável, para as refeições serem as mais lindas e variadas do mundo, para você levar os filhos a todas as atrações culturais da cidade, etc, etc, etc… 

Celebrar o que fez

Lutamos, trabalhamos, batalhamos e….continuamos pensando naquilo que ainda não fizemos, no que falhamos, no que ainda falta conquistar. Esse hábito é tão poderoso que muitas vezes fazemos isso com os filhos. ‘Parabéns, mas….’, ‘Arrumou o quarto, mas da próxima vez não esqueça….’. É automático. Passamos a viver em um estado de insatisfação e frustração constantes. Para mudar esse hábito, celebre todas as conquistas feitas, mesmo as pequenas. 

Tempo

É preciso criar um espaço para que você seja prioridade na sua vida. Mães costumam deixar tudo o que diz respeito a auto-cuidado, descanso e prazer para o fim da lista. Resultado: nunca tiram um tempo para cuidar de si. E cuidar não significa fazer as unhas ou ir para a academia. Pode ser isso também, mas cada uma precisa priorizar descanso, descanso mental, cuidado com o corpo, mente e espírito. Tempo pode significar também férias da função de mãe. Tiramos férias do trabalho, mas férias do filho, nem pensar. Mas precisa, é merecido e saudável.

Julgamento

Enquanto nas redes sociais compartilhamos lindas frases motivacionais, fazemos discursos corretos no grupo das mães no Whatsapp, estamos prontas para julgar qualquer erro ou falha de outras mães e dos filhos dela. Seja honesta com você mesma ao ler isso. Sim, somos assim. Somos muito críticas e pouco acolhedoras. Estamos sempre prontas para julgar e apontar o dedo. Reflita sobre isso e lembre-se das vezes em que se precipitou em fazer uma crítica. Lembre também das vezes em que foi criticada injustamente. É preciso fazer um exercício diário e refletir antes de julgar, refletir antes de falar, refletir antes de comparar. Isso é saudável não apenas para os outros, mas cria um espaço de paz interna que reflete em todos os outros aspectos da vida.

Estado interno

Leia com atenção. Vivemos em apenas um de dois estados: um estado de sofrimento ou um estado de harmonia. Não existe um terceiro estado. Estamos num estado de sofrimento quando estamos preocupadas, nervosas, frustradas, nos sentimos insignificantes, perdidas, isoladas. Quando existe raiva, medo, ansiedade, estresse, solidão, quando nos sentimos desconectadas, confusas, magoadas. Uma pessoa num estado de sofrimento causa mais mágoas e mais problemas para si e para os outros.

Viver em um “Beautiful State”

O que é um estado de harmonia, de beleza? É muito mais do que se sentir bem. Vai além de uma atitude positiva. Na verdade, não tem a ver com o que mostramos fora, mas sim como está o nosso estado interno. É um estado de alegria, amor, conexão, compaixão, alegria, coragem, calma. Quando estamos em um estado de beleza, não vivemos em um estado de conflito interno. O pensamento fica claro. As ações são tomadas sem conflito e dúvidas. Nos sentimos conectados a nós mesmos e aos outros. Conseguimos nos manter completamente no presente. E completamente presente às pessoas ao nosso redor. Portanto um estado de harmonia é o fundamento de uma vida feliz. Em qualquer função que desempenhamos na vida.

Conexão

A desconexão é como um vírus, que vai se espalhando e contaminando todas as áreas da vida. Se nos sentimos desconectadas com a nossa missão de vida, é muito comum levarmos essa frustração para os outros relacionamentos. Se nos sentimos desconectadas em um relacionamento, tendemos a nos desconectar dos demais relacionamentos. Quando nos damos conta, construímos uma muralha tentando manter a dor e o sofrimento do lado de fora. O que conseguimos é apenas viver em solidão com a própria dor. Lembre-se: a desconexão é um vírus. Ela afeta até a relação com os filhos. Afeta até mesmo a relação que mantemos com algo maior, mexe com a fé, tira as forças internas. Portanto, se você quer ser uma mãe presente, atenta às necessidades dos filhos, uma pessoa capaz de se relacionar completamente com os pequenos, fique atenta às dores, frustrações que provocaram desconexão em qualquer área da vida. 

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