Espiritualidade prática para mães

de 03/05/21 em Dicas que Curam, Espiritualidade

Um guia prático para acalmar mente e coração

Nesse dia das mães, o melhor presente que você pode se dar é paz de espírito. Isso só vem com discernimento, com a vontade de olhar para as coisas como elas realmente são. E também pelo exercício de encontrar um local de pausa e acolhimento dentro de você.

A partir da minha própria experiência como mãe e dos contatos com outras mulheres, eu decidi escrever um texto com os principais desafios que nós, mamas, enfrentamos. Claro que não é definitivo e que outras mulheres podem ter experiências diferentes.

Num mundo com tanta informação, muitas vezes nos perdemos em referências vazias e comparações nocivas. Espero que esse relato sincero ajude a refletir e a acalmar os pensamentos e o coração.

Mito da mulher iluminada

A ideia de que a maternidade santifica a mulher é um estereótipo perverso. É claro que é uma experiência transformadora e que traz muitos aprendizados. Mas esse mito de iluminação é cruel pois faz que com muitas mulheres se julguem por não se identificarem com essa imagem. Tanto que é curioso como quando uma pessoa conta como está sendo difícil a gravidez ou os desafios da amamentação, logo várias matérias e hasgtags são publicadas elogiando a coragem da pessoa em “falar a verdade”. 

Mito do sacrifício materno

A ideia da mãe que se sacrifica pelos filhos está ultrapassada. Uma pessoa plena e feliz é capaz de suprir as necessidades de outro ser humano melhor e mais facilmente. Torna-se uma relação natural em que dar alimento e ser alimentado não retira mais do que deveria, transformando o relacionamento numa troca saudável em que ambos crescem e evoluem. 

Mito da perfeição

Essa falsa ideia de que os atos de uma mãe precisam ser perfeitos é prejudicial não apenas para as mulheres. Cultivar a imagem de que não se pode errar, tira o foco da real necessidade dos filhos, colocando a atenção apenas no que erramos ou acertamos. Enquanto achamos que estamos buscando a perfeição, estamos na verdade engajadas no mito de que não podemos errar. A tradução mais próxima da realidade para isso é: estamos olhando apenas para o nosso umbigo.

Mito da intuição

A maternidade não transforma uma mulher num ser intuitivo que saberá tudo sobre os filhos. É falsa a ideia dessa conexão que surge naturalmente. É sim possível desenvolver essa capacidade, que aliás é natural para todo ser humano, mas isso não tem a ver com a maternidade, tampouco é exclusivo das mulheres. É fruto de um exercício de pausar e de conexão.

Mito da preocupação

Passamos a vida preocupadas e achamos que por isso estamos conectadas com nossos filhos. Muitas mulheres passam o dia imaginando situações, perigos e desafios que os filhos podem, um dia, talvez, enfrentar. O resultado é estresse e fadiga, que geram uma série de recomendações e cobranças inúteis. Pior: uma pessoa que vive no mundo da imaginação, pensando no que poderia acontecer, não vive num estado de conexão com os filhos nem com ninguém. Está num futuro ‘terrível’ em vez de viver no presente.

Mito ‘é bom sempre se preparar para o pior

Muitas crescemos com a ideia de que uma ‘‘pessoa inteligente sempre se prepara para o pior’. Que é preciso ter uma lista mental pronta sobre todas os problemas, adversidades que podem acontecer. E que apenas pessoas irresponsáveis pensam apenas no que pode dar certo. Em relação aos filhos esse hábito se agrava. Pensamos em todas as possibilidades do que poderá dar errado, no presente e no futuro. E pior: isso é frequentemente tema de conversas com outras mães e de conversas e recomendações vazias para os próprios filhos.

Mito da culpa

Outra forma de auto-engajamento, desconexão, que muitas julgam que faz parte do perfil de uma boa mãe é o exercício da culpa. Ficar remoendo, relembrando, falando sobre a situação com os outros, dizendo que se sente culpada. Quando isso acontecer, pare e reflita: como a situação afetou a criança? Como ela está? Algo pode ser feito? Manter-se na sintonia da culpa não corriga o erro, remedia o problema ou diminui a sua responsabilidade sobre o assunto.

Fazer o que ninguém exigiu

Conheço mulheres que vivem esgotadas, estão sempre com a agenda lotada, frustradas porque não conseguem dar conta de uma série de tarefas. Detalhe: essas tarefas foram impostas por elas mesmas. Estão baseadas num ideal de perfeição. Ninguém pediu ou exigiu. Em geral, ninguém pediu para a casa ficar sempre impecável, para as refeições serem as mais lindas e variadas do mundo, para você levar os filhos a todas as atrações culturais da cidade, etc, etc, etc… 

Celebrar o que fez

Lutamos, trabalhamos, batalhamos e….continuamos pensando naquilo que ainda não fizemos, no que falhamos, no que ainda falta conquistar. Esse hábito é tão poderoso que muitas vezes fazemos isso com os filhos. ‘Parabéns, mas….’, ‘Arrumou o quarto, mas da próxima vez não esqueça….’. É automático. Passamos a viver em um estado de insatisfação e frustração constantes. Para mudar esse hábito, celebre todas as conquistas feitas, mesmo as pequenas. 

Tempo

É preciso criar um espaço para que você seja prioridade na sua vida. Mães costumam deixar tudo o que diz respeito a auto-cuidado, descanso e prazer para o fim da lista. Resultado: nunca tiram um tempo para cuidar de si. E cuidar não significa fazer as unhas ou ir para a academia. Pode ser isso também, mas cada uma precisa priorizar descanso, descanso mental, cuidado com o corpo, mente e espírito. Tempo pode significar também férias da função de mãe. Tiramos férias do trabalho, mas férias do filho, nem pensar. Mas precisa, é merecido e saudável.

Julgamento

Enquanto nas redes sociais compartilhamos lindas frases motivacionais, fazemos discursos corretos no grupo das mães no Whatsapp, estamos prontas para julgar qualquer erro ou falha de outras mães e dos filhos dela. Seja honesta com você mesma ao ler isso. Sim, somos assim. Somos muito críticas e pouco acolhedoras. Estamos sempre prontas para julgar e apontar o dedo. Reflita sobre isso e lembre-se das vezes em que se precipitou em fazer uma crítica. Lembre também das vezes em que foi criticada injustamente. É preciso fazer um exercício diário e refletir antes de julgar, refletir antes de falar, refletir antes de comparar. Isso é saudável não apenas para os outros, mas cria um espaço de paz interna que reflete em todos os outros aspectos da vida.

Estado interno

Leia com atenção. Vivemos em apenas um de dois estados: um estado de sofrimento ou um estado de harmonia. Não existe um terceiro estado. Estamos num estado de sofrimento quando estamos preocupadas, nervosas, frustradas, nos sentimos insignificantes, perdidas, isoladas. Quando existe raiva, medo, ansiedade, estresse, solidão, quando nos sentimos desconectadas, confusas, magoadas. Uma pessoa num estado de sofrimento causa mais mágoas e mais problemas para si e para os outros.

Viver em um “Beautiful State”

O que é um estado de harmonia, de beleza? É muito mais do que se sentir bem. Vai além de uma atitude positiva. Na verdade, não tem a ver com o que mostramos fora, mas sim como está o nosso estado interno. É um estado de alegria, amor, conexão, compaixão, alegria, coragem, calma. Quando estamos em um estado de beleza, não vivemos em um estado de conflito interno. O pensamento fica claro. As ações são tomadas sem conflito e dúvidas. Nos sentimos conectados a nós mesmos e aos outros. Conseguimos nos manter completamente no presente. E completamente presente às pessoas ao nosso redor. Portanto um estado de harmonia é o fundamento de uma vida feliz. Em qualquer função que desempenhamos na vida.

Conexão

A desconexão é como um vírus, que vai se espalhando e contaminando todas as áreas da vida. Se nos sentimos desconectadas com a nossa missão de vida, é muito comum levarmos essa frustração para os outros relacionamentos. Se nos sentimos desconectadas em um relacionamento, tendemos a nos desconectar dos demais relacionamentos. Quando nos damos conta, construímos uma muralha tentando manter a dor e o sofrimento do lado de fora. O que conseguimos é apenas viver em solidão com a própria dor. Lembre-se: a desconexão é um vírus. Ela afeta até a relação com os filhos. Afeta até mesmo a relação que mantemos com algo maior, mexe com a fé, tira as forças internas. Portanto, se você quer ser uma mãe presente, atenta às necessidades dos filhos, uma pessoa capaz de se relacionar completamente com os pequenos, fique atenta às dores, frustrações que provocaram desconexão em qualquer área da vida. 

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Neuro ou neura ciência?

de 25/02/21 em Dicas que Curam, Espiritualidade
Foto: Pixabay

Nos últimos anos foram multiplicadas as ofertas de especialistas, coaches, cursos, workshops que ensinam técnicas de bem-estar e como manter um bom estado mental, evitar o estresse e ser feliz, entre outras variações.

Nada disso é novo. Eu cresci lendo livros de Louise Hay, Deepak Chopra, fiz diversos cursos do que é genericamente conhecido como auto-ajuda.

Mas recentemente, esses asssuntos ganharam uma nova abordagem, alimentados por conhecimentos ancestrais que passaram a ser explorados em inúmeras pesquisas científicas.

Benefícios da meditação foram medidos a partir de imagens cerebrais, cientistas passaram a medir reações corporais após processos para lidar com estados emocionais e a neurociência detalhou as substâncias associadas a sentimentos.

Adrenalina, cortisol, serotonina, dopamina, oxitocina, entre outros nomes de neurotransmissores, viraram tema de cursos, livros, posts de redes sociais.

Por exemplo, pesquisas mostram que quando no mantemos num estado de gratidão estimulamos o sistema de recompensas do cérebro com a produção de dopamina. Diversas matérias que li sugerem a prática da gratidão para garantir estados mentais mais saudáveis. 

Quer dizer que vou ser grata por algo apenas porque vou ganhar algo em troca?

Leio uma matéria em um importante jornal que a ‘Neurociência explica porque temos fome de pele de precisamos de abraços’. Sério que precisamos mesmo justificar isso?

Enquanto é positivo que a ciência entenda cada vez mas o funcionamento do cérebro e da sua bioquímica,

Pra mim, isso tudo está mais para neuraciência do que neurociência.

Leio coisas do gênero: Você sabia que emoções negativas podem criar caos no sistema nervoso, mas emoções positivas fazem o oposto?

E aí eu me pergunto, é preciso saber disso para que eu não queira ter emoções negativas? Antes de saber que posso estar estimulando caos no meu sistema nervoso, eu estava me divertindo tendo emoções negativas?

Uma outra matéria revela que ‘Estudo da universidade de Boston mostrou que as pessoas otimistas costumam ter de 11% a 15% a mais de tempo de vida do que os pessimistas.’

Sério? Entre 11% e 15% a mais de tempo de vida farão você desistir de ser pessimista? Caso ser pessimista não encurtasse sua expectativa de vida, você iria querer continuar a viver assim.

Não faz o menor sentido.

Médicos ensinam a estimular a bioquímica do cérebro com dicas como ‘dormir de 7 a 9 horas’, ‘rir com pessoas especiais’. Isso pra mim soa muito estranho. Parece que se nosso cérebro pudesse nos manter num estado de calma, alegria, com foco sem que fosse necessário exercitar comportamentos humanos e demonstrar gentileza, ter cuidado com a saúde e com os demais, manter nosso relacionamentos saudáveis, que não faríamos nada disso. Que continuaríamos a viver de maneira egoísta e desconectada com os outros e com nosso corpo. 

E por aí vai. Os exemplos são inúmeros.

Serviços online e especialistas divulgam benefícios como ‘28% menos triste’ ou ‘48% mais energia”.

Para uma pessoa que está triste, o que significa ficar 28% menos triste? Como se mede isso? Eu nunca medi minha tristeza assim. 

Será que precisamos medir em números e com percentuais nosso estado de bem estar? Precisamos de justificativas para sentirmos gratidão?

Precisamos de justificativas para sermos humanos?